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CARTAS A PEDRO: MISSIVAS COMEMORATIVAS / Carmem Teresa Elias (Coord.) / Guto Mello (Coord.)

Correspondência, ou “ato de escrever ao que nos escreve” — segundo o dicionarista do Oitocentos —, ontem ou hoje pode ser assim resumida: uma conversa à distância. Exige-se, porém, que a troca de cartas se estique ao longo de um período. Nada de cartõezinhos! Mas luzes sobre a personalidade, a intimidade, o cotidiano, os afetos ou as tragédias dos missivistas. Verdadeiro suporte de uma obra epistolar, a correspondência pode conter valor literário — caso do livro que você, caro leitor, ora manuseia. Na qualidade de documento histórico ou romance epistolar, ela é filha de seu tempo e também suporte afetivo. Endereçadas a um próximo ou destinadas a selar uma intimidade, cartas sempre foram vetores de emoções, capazes de capturar o tempo e materializar laços. Espaço de fala livre e autêntica, de preferência sem interrupções, a carta encontra na distância espacial ou temporal um porto seguro. Permite expressar sentimentos profundos e secretos. Ou vulnerabilidades que a boca não quer deixar escapar. Mas permite também esvaziar o espírito e exteriorizar emoções de quem a escreve. O destinatário deste livro é D. Pedro II: o real e o imaginado. É sabido o quanto o imperador gostava de cartas, de escrevê-las e de recebê-las. Por ocasião das comemorações dedicadas ao imperador, um grupo de historiadores, pesquisadores e ficcionistas resolveu manter viva essa correspondência, invocando sua presença permanente entre nós. Sob a coordenação da professora e escritora Carmem Teresa Elias e do historiador Guto Mello, as homenagens resultaram num belo mosaico de percepções e representações sobre o menino, o homem, o intelectual, o viajante, o dirigente político e o símbolo de uma época. Entre memória e invenção, história e imaginação, estas cartas renovam um diálogo interrompido apenas na aparência. Ao escrever ao imperador, seus autores também escrevem sobre si mesmos, sobre o Brasil e sobre as muitas formas pelas quais o passado continua a interpelar o presente. Porque algumas correspondências jamais terminam: atravessam gerações, reinventam afetos e mantêm viva a conversa entre os vivos e aqueles que a História se recusou a silenciar.

Mary del Priore - IHGB, IHGRJ, APL, ACL, Pen do Brasil


Ao longo de sua vida, o imperador D. Pedro II foi um grande e comprometido epistológrafo. Tal fato é comprovado pelo seu complexo arquivo documental salvaguardado no Museu Imperial, disponível à pesquisa pública, mantendo o espírito de abertura ao conhecimento tão ao gosto deste que é sempre lembrado como “Magnânimo”. Neste livro que ora se abre, organizado por Carmem Teresa Elias e Guto Mello, temos a oportunidade de enviar cartas ao imperador. Sim, sabemos que se trata de ficção epistolar, porém ficção não é mentira, ficção é uma outra experiência de verdade, uma outra maneira de se construir conhecimento. Isso se faz necessário enfatizar: ficção também pode ser verdade, por mais paradoxal que tal afirmação possa parecer. Nessas cartas a D. Pedro II, cada remetente lhe faz revelações e lhe comunica algum fato, função primordial da epistolografia — a comunicação. Alguns até confessam e segredam coisas ao monarca, na certeza de que serão ouvidos e atendidos, já que o que une esses remetentes é a certeza da recepção deste destinatário privilegiado. A comunicação epistolar se caracteriza, dentre tantos fatores teóricos, pelo simples ato de troca de sentimentos e informações, já que uma carta é livre a partir do momento da sua postagem. Aliás, no movimento missivista, o agora da escrita nunca é o agora da leitura, portanto, não sabemos quando D. Pedro II receberá e lerá essas cartas e ainda precisamos torcer para que nenhuma se extravie pelo caminho... Convido todos a ler este belo livro, Cartas a Pedro II: Missivas Comemorativas, que ora é enviado aos leitores como uma carta aberta, uma carta coletiva, na esperança de que o destinatário responda a cada uma e que não demore muito a responder, pois quem envia uma missiva sempre espera por uma resposta.

Leandro Garcia - Professor da Faculdade de Letras da UFMG


Endereçar cartas a D. Pedro II é um mister contínuo meu, de corpo e alma. De certa forma, entre o Imperador e mim, compartilhamos juntos nossas infâncias e maturidades; eu como membro dos corpos discente e docente do Colégio Pedro II (Rio de Janeiro), fundado em homenagem ao Imperador em 1837 e onde dediquei cinquenta e cinco anos de minha existência educacional e profissional. Não bastassem as atividades educacionais e profissionais, residimos também em Petrópolis. Em 1981 publiquei em um livro coletivo minha primeira missiva dedicada à sua figura. Cada carta subsequente ampliava-me o anelo, que não caberia mais somente em mim. Queria compartilhar muitas cartas entre muitos. Foi conversando sobre esse elo com uma ex-aluna também admiradora da cultura que o projeto deste livro comemorativo de missivas coletivas se formalizou. Transcorriam duzentos anos do nascimento do Imperador e neste mesmo ano, Carmem Teresa Elias e Djalma Augusto dos Santos Mello (Guto Mello) — ambos docentes, pesquisadores, escritores e ativistas culturais — desenvolvemos um grupo com o objetivo de frutificar as letras com escritores de diferentes segmentos e localidades. Justamente essa é a visão conjunta que une os sessenta autores contidos nesta obra: homenagear o legado humano e humanista de D. Pedro II, a dedicação à formação galgada pela Educação, Ciência, estudo e progresso por um bem social maior. Preservamos como objetivo e filosofia a firmeza do espírito democrático e dos horizontes culturais e coletivos proporcionados pela escrita para reforçar os alicerces da sociedade pelo conhecimento, artes, literatura e ciência. Com os sessenta autores que aqui se somam para homenagear D. Pedro II, acrescentamos mais uma etapa importante de resgate patrimonial da memória da cultura brasileira.

Carmem Teresa Elias


Serviço:


Cartas a Pedro II

Missivas Comemorativas

Edição Especial da Scortecci na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2026

Carmem Teresa Elias (Coord.)

Guto Mello (Coord.)

Scortecci Editora

Poesia

ISBN 978-85-366-7444-5

Formato 14 x 21 cm 

184 páginas

1ª edição - 2026