A poesia desse Além do Umbigo é uma jornada para dentro de nós mesmos. “Mas é difícil ficar de boa com tantas guerras, racismo e outras dores do mundo, não é, Zé?” A sua poesia passa por tantas influências com pitadas de jazz; ela faz o dia ser especial ao ponto de não desistirmos das bossas; ela não nos deixa esquecer o dia de hoje. Voamos e dançamos com a sua foto. “Zé, você ainda tem dúvidas que o sol vai sair hoje?” Nesse tópico, além do jazz e outros ritmos, o blues da sua poesia não é triste assim como pintam: você pensa em contradições! As amizades, por aqui, voam... “Quanta fé na vida suas palavras ensinam, Zé!” Nessa hora, Deus está vendo tudo e até Nanã é testemunha desse seu umbigo que tudo viu nascer. Continuando a leitura, cheia de significâncias, até fechar o diário de intimidades, a gente dá de cara com um poeta olhando para o seu umbigo: a poesia nos faz reconhecer que somos filhos de um único ventre. “Dizem que você fala muito, Zé?” Na verdade, é a sua poesia que fala como um canto de boiadeiro. Ela é tão íntima que dá para fazer um diário com beijos, mar, gatos, sol a pino, música, ilha, paz sem despedida e tesão pela vida. “Uma última pergunta, Zé: você acredita em poesia?” Por assim dizer, sem desatinar, basta ler para responder.
Alessandro Ayudarte
Quanto ao conteúdo, eu, como leitor, entendi que grande parte das poesias tratam de uma certa monotonia no cotidiano. A busca de um refúgio a essa constância é a música. A música contida, e muitas vezes observada, na natureza em volta. Um livro leve, com belos poemas como aquele que você dedica à sua irmã. Mexi na poesia que abre o livro (atrevimento meu) e, é claro, desfaça minhas alterações a seu bel-prazer. Quanto ao amigo que fez a crítica e te levou a escrever Além do Umbigo, não se importe com isso. Primeiro porque não há nada de errado em transformar a própria vida em poesia. Cada um de nós trazemos uma história e um entendimento muito particular sobre tudo. A vida deixa uma marca indelével e diferente em cada ser. Afinal, quantas pessoas lerem seu livro, tantas serão as opiniões, né não?
Joaquim Hilário Rodrigues
Com publicações desde 2014, quando lançou pela Scortecci seu primeiro livro, Baú de Qualquer Coisa, o poeta e compositor J. Cordeirovich tem publicações em algumas coletâneas: Sopa de Letrinhas (2017), Scortecci (2022), Litera Livre (na web). Também é autor e compositor das músicas do álbum Românticos no Caos, em parceira com o músico Vladinsky, da Banda Presencial Total, audível na web. Sua caminhada com a palavra não vem de agora. Desde sua formação em Letras pela Uninove, e Psicopedagogia pela UGF, o poeta dirige há algumas décadas grupos não profissionais de teatro, tornando a pedagogia do fazer em cena aprendizado para a vida. A esse respeito publicou o livro Pulsares, Cênicos e Poéticos, que tem quatro textos com ênfase na comédia e nas narrativas do Memórias do Agora Mesmo. Nos livros de sua autoria: Pulsares, Baú de Qualquer Coisa, O Arranjador de Palavras e O Discurso Ante a Fogueira, pode-se visitar o universo reflexivo, nostálgico, brincalhão e observador do entorno de quem “canta” e escreve, em versos tortos, o que nega ser poesia. Agora, neste Além do Umbigo, você, desavisado(a) leitor(a), já sabe o que lhe espera. Boa leitura.
Serviço:
Além do Umbigo
J. Cordeirovich
Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-7378-3
Formato 14 x 21 cm
160 páginas
1ª edição - 2026
