SOBRE A TROVA E A UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORES (UBT) - Trova é uma composição poética, sem título, com apenas uma estrofe com quatro versos heptassílabos (sete sílabas métricas ou sílabas poéticas em cada verso), com sentido completo. É o menor poema da língua portuguesa e deve obedecer a características rígidas. As rimas devem ser perfeitas, seguindo a estrutura ABAB, usada pela UBT. Pode também apresentar outra disposição, com o segundo verso se ligando ao quarto, conforme a estrutura ABCB. A composição poética possui conceituação própria e diferencia-se da quadra, da poesia de cordel, da trova gauchesca, do repente e do poema musicado da Idade Média. A trova é uma criação poética milenar e foi escrita por Camões, Fernando Pessoa, Dom Pedro II, Dom Diniz, entre outros. Atualmente, a trova é o único gênero literário exclusivo do Português. Fernando Pessoa considera que “a trova é o vaso de flores que o povo põe à janela de sua alma”. Waldir Neves afirma: “A trova é a arte de acomodar o infinito nos limites de um grão de areia”. O escritor Jorge Amado dizia: “Não pode haver criação literária mais popular, que fale mais diretamente ao coração do povo do que a trova. É através dela que o povo toma contato com a poesia e sente sua força. Por isso mesmo, a trova e o trovador são imortais”.
Histórico:
O nascimento da trova está relacionado à poesia da Idade Média, quando esta composição poética se referia a qualquer poema e letra de música. Na Europa, mais especificamente na região sul da França e em Portugal, prosperou um movimento poético denominado Trovadorismo. Os poetas que se dedicavam a compor esses poemas eram conhecidos como trovadores. Os portugueses trouxeram a trova para o Brasil. Por volta de 1950, Luiz Otávio, pseudônimo literário do poeta Gilson de Castro (cirurgião-dentista, poeta e escritor do Rio de Janeiro), juntamente com J. G. de Araújo Jorge, começou a estudar e propagar a quadra popular brasileira. Em 1960, depois de participar de um congresso do Grêmio Brasileiro de Trovadores (GBT), em Salvador (BA), Luiz Otávio implantou uma série de seções dessa entidade no sul do Brasil. Pelas inúmeras diferenças, acabou havendo uma separação e, em 1966, foi fundada a União Brasileira de Trovadores (UBT). Em janeiro de 1967, foram fundadas, oficialmente, as Delegacias e Seções da UBT, iniciando-se pela do Rio de Janeiro. O símbolo adotado foi uma rosa e o padroeiro, São Francisco de Assis. A trova é hoje praticada por mais de três mil trovadores em todo o Brasil. A UBT é uma organização de âmbito nacional, com delegacias e/ou seções em quase duzentas cidades do Brasil e com um organograma de presidência nacional, regional e estadual, cobrindo dezesseis estados do Brasil e realizando, em média, de trinta a quarenta concursos de trovas e/ou jogos florais por ano, além de manter um intercâmbio intenso com os trovadores de Portugal. Posteriormente, em reconhecimento pelo seu trabalho em favor da cultura, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, através de decreto-lei, oficializou 18 de julho, dia do nascimento de Luiz Otávio, como Dia do Trovador. Também a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos efetivou a data com a emissão de um carimbo comemorativo oficial.
Trova de autoria de Luiz Otávio.
“Às vezes o mar bravio
dá-nos lição engenhosa:
afunda um grande navio,
deixa boiar uma rosa!”
Em cada canto uma trova,
em cada trova, um encanto...
Quem ouve uma trova, aprova,
é como doce acalanto!
Su Canfora
TROVADORES PARTICIPANTES
Su Canfora
Raimundo Rodrigues
Elaine de Oliveira Rezende
Lourdes Borelli,
Ivete Cunha Borges
Eni Kindermann
Nancy Barouch Tosta
Sueli Ordonhes
Walter Aguiar
Miriam Menezes de Oliveira
Kauê Inaba
Gislene Carvalho
Lóla Prata
Daniel Nunes da Silva
Eli Faria
Moisés Fonseca Simão
Maria Teresinha Cirilo dos Santos
Anete Simões
Luiz Antonio Cardoso
Samira Nelani
Sandra Regina dos Santos
Serviço:
Rajadas de Trovas
Su Canfora (org.)
Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-7275-5
Formato 14 x 21 cm
120 páginas
1ª edição - 2026
