Tirei essa foto durante uma viagem a São Paulo em 2019. A imagem mostra a Ponte Octavio Frias de Oliveira, a ponte estaiada, sob a perspectiva de quem a atravessa por uma de suas vias (por isso existem alguns leves borrões na imagem, estavam no para-brisa do carro no momento). São Paulo é uma cidade incomparável e de certo modo infinita: São Paulo não acaba, não termina, não tem um fim propriamente, mas se junta a outras cidades, avança criando conexões, acessos, e, à medida que o faz, confirma ser cada vez mais o que é, um movimento. Vez ou outra essa cidade volta aos meus pensamentos, é referência e também reflexão. Contornos industriais com a abstração da modernidade, seu projeto democrático de um espaço partilhado, sufocado pelo tumulto dos excessos: mercadorias, concreto, asfalto, capital sobre os laços sociais. Devo acrescentar que conhecer São Paulo é um bom caminho para poetas que buscam motivos para seus poemas — não que isso seja necessário.
Pedro Magno nasceu em 10 de janeiro de 2003, na cidade de Goiânia, Goiás. Seu gosto pela literatura começou quando conquistou o segundo lugar num concurso de redação realizado durante a feira de livros de sua escola, cujo tema era “histórias de ternura”, e, como não tinha muita familiaridade com livros em casa, passou a frequentar livrarias e bibliotecas sempre que podia. Foi durante uma viagem à cidade de São Paulo que seu interesse pela poesia surgiu, especificamente; naquele tempo a Livraria Cultura ainda operava no Conjunto Nacional, e o lugar era simplesmente “inesquecível, um refúgio, um lugar para se estar bem... feliz”, nas palavras do próprio autor. Além disso, a ideia de poder pensar aquela cidade através de textos onde reinam as figuras de linguagem, o sentido figurado e a ordem não convencional, caótica, das palavras, em outras palavras, a poesia, fez com que o autor se apaixonasse por esse gênero literário, e “por sua capacidade única de representar nossas experiências e ampliar nossa linguagem”.
América
O povo colorido é de angústia
nas aspirações artísticas imortais,
povo acidental, nos ônibus
nascido, ou então, florescido
nos acidentes. O sangue ainda ardente
escorre pelas vias, janelas entreabertas
grades que guardam o sono
tecendo a ideia tão vermelha
quanto foi o mês de outubro.
Nesta américa desenhada em lábios e olhares
autorretratos, Cuba ainda floresce
na amizade dos corações coralinos
abrindo caminhos para a vida do povo
amante e antofagasta. E não acabam
as aspirações, revoluções, amores ternos
nascem e renascem, pois vivem os americanos
além de suas colônias, livres ainda
de suas repúblicas tardias.
Serviço:
Antofagasta
Pedro Magno
Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-7348-6
Formato 14 x 21 cm
108 páginas
1ª edição - 2026
