Se, na modernidade clássica, a vida social se fragmentou, na contemporaneidade, esse processo é acelerado, multiplicado e intensificado pela transformação digital. O que era uma tendência estrutural — a diferenciação entre os universos da ciência, da economia, da arte, da religião, da técnica — torna-se, com a internet e principalmente com as redes sociais, um contexto dinâmico, cotidiano e público, com interesses específicos, regras internas, padrões de linguagem compartilhados, preferências reforçadas mutuamente, identidades construídas em nichos, bolhas perceptivas e ecossistemas simbólicos que não se comunicam entre si. Pela proposta deste livro, o leitor pode ler os capítulos em qualquer ordem que seja de seu interesse ou necessidade. Visto que há uma dispersão e multiplicidade de interesses, a construção do próprio framework para lidar com o desafio de construir a sociedade que queremos é um processo autoral. A tecnologia, afinal, nunca foi um fim em si mesma — é sempre um meio, uma forma de política materializada. O desenho da tecnologia importa — e, mais do que isso, precisa ser disputado coletivamente. Uma das camadas dessa complexidade é demográfica. A população que envelhece não precisa ser afastada das novas tecnologias — precisa apenas aprender. Façamos isso!
Diante de tantas evoluções que aconteceram e que estão acontecendo, uma questão que tem permeado as reflexões sobre a teia social, na qual estamos inseridos, tem sido sobre a sociedade que temos e a sociedade que queremos. Afinal, qual é a sociedade que queremos? As organizações sociais evoluíram de modelos que passaram da busca de alimentos para a sobrevivência, para a industrialização com uma nova sociabilidade, evoluindo para uma sociedade tecnológica, inovadora e globalizada, seguindo para uma sociedade da informação. Este livro aborda de forma clara e explícita a revolução tecnológica que estamos vivendo que, como em outros momentos históricos, por vezes assusta. É o custo emocional do progresso. Toda tecnologia nova costuma ter um impacto social relevante. A hiperconectividade que nos mantém virtualmente próximos, muitas vezes em guetos ideológicos, pode nos manter distantes física e intelectualmente e nos afastar do comportamento ético. Mesmo com toda a facilitação que a Inteligência Artificial (IA) nos trouxe, devemos lembrar que ainda é o ser humano quem produz conhecimento. A utilização da IA deve estar sempre acompanhada de uma curadoria humana. Aliás, até o uso da palavra Inteligência na expressão Inteligência Artificial vem sendo questionado. Para a sociedade que queremos, a ética e a moral devem sempre estar presentes.
Arthur Eugênio Furtado Achôa - Conselheiro de Administração Certificado — CCA IBGC - Membro do GEAPE Tech e do GEGC — CRA SP - Membro do Comitê de Integridade — Aldeias Infantis SOS Brasil.
Serviço:
A Sociedade Que Nós Queremos
Provocações Para a Transformação Digital Humanizada
Estela Schreiner / Idilio Santana Jr.
Lawrence Chung Koo / Marcos Augusto Vasconcellos
Marcos da Cunha Ribeiro / Mariluci Durante
Paulo Calegare Junior / Rogério Parente
Ugo Franco Barbieri / Valdenice Sanchez
Scortecci Editora
Tecnologia da Informação
ISBN 978-85-366-7295-3
Formato 16 x 23 cm
164 páginas
1ª edição - 2026
